segunda-feira, 28 de julho de 2008

Terceiro Devaneio

Acordei. Agora entendo que para sonhar não é necessário dormir de olhos tão fechados, mas mantê-los abertos para os sinais que a minha confusão me enviava.

Minha preocupação já não gira em torno da cor do meu vestido, a cor da sombra dos olhos, como deveria me portar ou a que horas o telefone tocaria. Eu já não acho mais que deveria estar num filme para encontrar a felicidade, pois esta se encontra nos dedos alheios que deslizam os longos fios de cabelo e retornam com toques delicados na nuca, na mão que envolve os ombros nus para que não sentisse mais frio e lhe oferecesse proteção de maneira indireta.

O encontro dos lábios, dentes, língua e saliva já não são a causa dos meus tormentos, pois minha mente se deu ao trabalho de se ocupar com pensamentos de leveza tal que me fizeram esquecer como sofrer é o sadismo do amor.

Se apaixonar como o estado de um nirvana é isso. Todos os meus poros respiram o alívio de dois corpos que se amam, e inspiram o calor exalado pela vontade de ser e estar. Mãos, pernas e corpos se perdem na imensidão do quarto escuro, sem previsão para um reencontro.

A sensação é intrigante, provavelmente inexplicável aos sentidos humanos como um ataque surreal à uma existência estóica.

Il est mon bonheur