É muito ruim não estar de férias, mas é pior ficar sem ele. Já me acostumei a estar o tempo todo junto do Tutu, falando porcaria, comendo danoninho, jogando zumbizinho, tocando violão... E agora??? A gente está sempre junto na faculdade, na kitnet, no shopping, no carro, no Subway, nas festas...
Hoje acordei com uma notícia ruim, não diretamente para mim, mas me tocou por diversos motivos.
Me conformo facilmente com finais de relacionamentos, notas baixas, um corte de cabelo que dá errado, mas com questões relativas à vida/morte eu não consigo lidar direito.
A angústia da dúvida entre a vida e a morte faz com que eu me corroa por dentro, talvez pelo fato da saudade ser o sentimento que mais me assusta. Eu sofro pelas outras pessoas que estão sofrendo porque elas vão sentir o medo que eu sinto e isso me angustia mais ainda.
Eu vejo quem está passando por maus bocados e tenho vontade de colocar no meu colo, passar a mão no cabelo e dizer que vai ficar tudo bem.
A foto do post é de um ensaio que eu fiz em maio desse ano para a aula de fotojornalismo. Minha idéia inicial era fotografar um dia no boteco, mas o professor me sugeriu fotos no cemitério.
Achei diferente e resolvi topar a proposta.
Passei uma manhã inteira no cemitério fotografando mauzoléus, estátuas e túmulos com flores, sempre focada na qualidade da foto e sem pensar no meu lado emocional. Ao chegar em casa, fui editar um vídeo com as melhores fotos e acabei ficando mal com as imagens que eu fiz combinadas com a música que escolhi.
"Pedaço de mim", do Chico Buarque, detalha o sentimento da saudade de uma maneira tão rica que, pelo menos em mim, bateu aquela angústia nostálgica. Eu via o túmulo de uma criança e ficava pensando nos pais que a enterraram... Era um túmulo tão pequenininho e insignificante no meio do cemitério, mas para alguém ele significava muito.
Combinado a esse fato em especial, eu ouvia o trecho "a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu" e ficava cada vez mais deprimida.
De qualquer maneira, vou deixar um link do vídeo e a letra aqui, só para constar.
Oh, pedaço de mim Oh, metade afastada de mim Leva o teu olhar Que a saudade é o pior tormento É pior do que o esquecimento É pior do que se entrevar
Oh, pedaço de mim Oh, metade exilada de mim Leva os teus sinais Que a saudade dói como um barco Que aos poucos descreve um arco E evita atracar no cais
Oh, pedaço de mim Oh, metade arrancada de mim Leva o vulto teu Que a saudade é o revés de um parto A saudade é arrumar o quarto Do filho que já morreu
Oh, pedaço de mim Oh, metade amputada de mim Leva o que há de ti Que a saudade dói latejada É assim como uma fisgada No membro que já perdi
Oh, pedaço de mim Oh, metade adorada de mim Lava os olhos meus Que a saudade é o pior castigo E eu não quero levar comigo A mortalha do amor Adeus
Confesso que ontem quando li a notícia da morte do Fernando Torres tive uma dorzinha no coração. Não conheci muito de seu trabalho, mas sempre fiz umarelação entre sua imagem e à de sua esposa, Fernanda Montenegro, como a de um casal feliz. O amor dos dois era evidente e inegável. Minha dorzinha veio desse pensamento: Os dois tinham completado 56 anos de casados. Isso é incrível! Eu fico imaginando a relação de cumplicidade criada nesse tempo que passou e como deve ser difícil perder alguém.