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domingo, 7 de setembro de 2008

A saudade é o pior tormento

Hoje acordei com uma notícia ruim, não diretamente para mim, mas me tocou por diversos motivos.

Me conformo facilmente com finais de relacionamentos, notas baixas, um corte de cabelo que dá errado, mas com questões relativas à vida/morte eu não consigo lidar direito.

A angústia da dúvida entre a vida e a morte faz com que eu me corroa por dentro, talvez pelo fato da saudade ser o sentimento que mais me assusta. Eu sofro pelas outras pessoas que estão sofrendo porque elas vão sentir o medo que eu sinto e isso me angustia mais ainda.

Eu vejo quem está passando por maus bocados e tenho vontade de colocar no meu colo, passar a mão no cabelo e dizer que vai ficar tudo bem.

A foto do post é de um ensaio que eu fiz em maio desse ano para a aula de fotojornalismo. Minha idéia inicial era fotografar um dia no boteco, mas o professor me sugeriu fotos no cemitério.

Achei diferente e resolvi topar a proposta.

Passei uma manhã inteira no cemitério fotografando mauzoléus, estátuas e túmulos com flores, sempre focada na qualidade da foto e sem pensar no meu lado emocional. Ao chegar em casa, fui editar um vídeo com as melhores fotos e acabei ficando mal com as imagens que eu fiz combinadas com a música que escolhi.

"Pedaço de mim", do Chico Buarque, detalha o sentimento da saudade de uma maneira tão rica que, pelo menos em mim, bateu aquela angústia nostálgica. Eu via o túmulo de uma criança e ficava pensando nos pais que a enterraram... Era um túmulo tão pequenininho e insignificante no meio do cemitério, mas para alguém ele significava muito.

Combinado a esse fato em especial, eu ouvia o trecho "a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu" e ficava cada vez mais deprimida.

De qualquer maneira, vou deixar um link do vídeo e a letra aqui, só para constar.

Oh, pedaço de mim
Oh, metade afastada de mim
Leva o teu olhar
Que a saudade é o pior tormento
É pior do que o esquecimento
É pior do que se entrevar

Oh, pedaço de mim
Oh, metade exilada de mim
Leva os teus sinais
Que a saudade dói como um barco
Que aos poucos descreve um arco
E evita atracar no cais

Oh, pedaço de mim
Oh, metade arrancada de mim
Leva o vulto teu
Que a saudade é o revés de um parto
A saudade é arrumar o quarto
Do filho que já morreu

Oh, pedaço de mim
Oh, metade amputada de mim
Leva o que há de ti
Que a saudade dói latejada
É assim como uma fisgada
No membro que já perdi

Oh, pedaço de mim
Oh, metade adorada de mim
Lava os olhos meus
Que a saudade é o pior castigo
E eu não quero levar comigo
A mortalha do amor
Adeus

[Pedaço de mim - Chico Buarque]


sexta-feira, 5 de setembro de 2008

Sentimental

"Sentimental, sentimental
Um coração saliente
Bate e bate muito mais que sente
Fica doente mas é natural, natural
Que num cochilo de agosto
Surja um outro alguém do sexo oposto
Do sexo oposto outro outro alguém"

Chico Buarque

Vou me fechar pra balanço porque estou enlouquecendo. Estou vivendo coisas inéditas para mim mesma e isso me assusta.

Se apaixonar não é ter borboletas no estômago, é uma ressaca interminável de sentimentos fermentados.
Preciso de um sal de fruta que me alivie, pois eu mesma não estou me aguentando.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Estorvo

Estou lendo Estorvo, do Chico Buarque.
Adoro o jeito como ele escreve, prosa/poesia. Eu me apaixono pelo texto, a disposição e escolha das palavras e a sutileza com a qual ele consegue selecioná-las, para que nós possamos abstrair o sentimento que ele quer passar.

Eu simplesmente amo o Chico porque ele traduz de antemão tudo o que eu sinto, no momento oportuno.

Alguém tinha que dar uma pílula da vida eterna pra esse cara! Juro que se algum dia ele morrer, vou passar o resto da minha vida de luto!!!

Estou me apaixonando por Estorvo assim como aconteceu com Budapest. Já de Benjamin eu não gostei tanto, talvez por tê-lo lido (não completamente) no momento errado.

É, para mim existem momentos para ler-se um livro. Não gosto de ler por obrigação pois, para que se sinta o enredo por completo, é necessário que estejamos com certo estado de espírito.

Pelo menos é o que eu acho :)

quarta-feira, 25 de junho de 2008

Budapeste

Dei uma pausa no Drácula, não estou no clima para esse tipo de livro.
Quando me sinto desapegada, recorro a Budapeste do Chico Buarque... Leio em questão de horas e me dá um conforto inexplicável.

Adoro o texto, a história em si, as metáforas... Adoro pensar na possibilidade de alguém viver uma grande e linda história graças ao amor às palavras. Às vezes fico angustiada por querer que algumas situações seguissem outro rumo, mas me conformo.

Vou reler nessa madrugada. Preciso me apaixonar por alguma história e me sentir satisfeita, me iludir com literatura e me contentar com a superficialidade das emoções momentâneas.

Se tudo acontece em Budapeste, eu viajo pra lá em questão de horas.
Não sei como tem gente que não gostou desse livro.