terça-feira, 1 de julho de 2008

Reflechissez

Um dia a gente acorda, se olha no espelho e os cabelos continuam iguais, os olhos estão inchados, mas continuam os mesmos, o vermelho das bochechas ainda estão iguais a ontem.

Então o dia passa e tudo muda, dentro da sua própria banalidade. Numa explosão silenciosa, tudo o que até então era certo e convicto se perde na incerteza de ser, como o inesperado costuma se manifestar.
A rotina é mutante de pouco a pouco, não costuma transparecer qualquer mudança, para que nós não nos desesperemos em busca do resgate de alguma sensação passada. A qualquer hora, tudo o que estava nas nossas mãos escapa por entre os dedos e escorre a fio para um canto qualquer, sem destino certo.

Algum dia desses vou escapar através dos meus próprios dedos, pois já desapareci. Me olho no espelho e não vejo os mesmos cabelos, o castanho dos olhos ou as bochechas coradas. Na nostalgia da rotina espero outra explosão, para que eu possa voltar a me reconhecer sem culpa alguma.

Pensez pas à demain