Posso até me arrepender de fazer essa comparação, mas às vezes me sinto como aquela música do Raul Seixas, Ouro de tolo, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar. Como se a minha vida dependesse da agenda de outras pessoas pra poder seguir em frente: namorado, amigos, psicóloga, família...
Esses dias mesmo eu estava querendo ficar uns dias fora e fui surpreendida pela indagação "mas você não vai ficar aqui tomando conta da casa até nós voltarmos?". Desde que me conheço por gente que eu sou a pessoa que toma conta da casa enquanto todos viajam... porque eu não posso viajar também?
Nesse caso não há negociação: a condição é cravada.
Então eu ligo para alguém para fazer alguma coisa além de ficar olhando os buracos na parede e ela me diz que vai viajar, mas que quando voltar nós fazemos alguma coisa.
E assim vai.
Eu realmente preciso de dinheiro, um emprego de verdade, para poder fugir comigo mesma da rotina dos outros. Quero poder negar e fazer pouco caso... acordar com um ar nouvelle vague e dizer a todos que não posso nada porque estou com enxaqueca, quando na verdade estou cansada da cara de todo mundo.
Quero poder dispensar as pessoas porque sou ocupada demais, e depois disso sentar à mesa e tomar café até meio-dia, depois vou dormir até as 14 horas.
Coisas do gênero.

