Não posso pedir que o mundo gire em torno de mim, mas tenho, de fato, muitas órbitas e talvez peque pelo excesso de zelo.
Em momentos como esse que tenho vontade de sair do meu corpo e esquecer de tudo que me rodeia. Esse antibiótico poderia matar, além das bactérias, essa vontade de fazer crescer a felicidade, pois ela não é nada além de uma coleira de cavalo: o olhar para frente e o resto de lado, quando muito.
Contudo, logo esqueço minha raiva. Não pelos outros, mas por mim mesma.
Hoje eu estava com o rim inflamado e ardendo em febre - aliás, ainda estou - mas consegui ajudar uma pessoa a se sentir melhor e a se superar.
Não fiz porque era meu dever ou para cumprir pauta, já que não devo achar que mando ou desmando nas vontades alheias. Fiz porque eu sabia que eu poderia ajudar.
Também superei alguma coisa hoje: minha satisfação individual está me fazendo esquecer, não a dor, tampouco a febre e os calafrios, mas a solidão, essa sim purulenta e estragada.
O quarto está vazio, entretanto, minha alma está completa e por isso durmo tão bem.

